O capítulo da descrição

A afirmação desta página: 1 Coríntios 13 não é um poema sobre sentimento — é uma auditoria. Tudo o que impressiona é posto na balança, e o peso que decide é um só.

Uma palavra que confunde há séculos

Matthew Henry abre 1 Coríntios 13 removendo um mal-entendido embutido na palavra inglesa. O que Paulo louva não é aquilo que se entende por caridade no uso comum da palavra, que a maioria das pessoas entende como esmola, e sim o amor no seu sentido mais pleno e mais extenso, o verdadeiro amor a Deus e ao próximouma disposição benevolente da mente para com os nossos irmãos cristãos. O português tem o mesmo problema da palavra inglesa, e a linhagem Almeida guarda a redação antiga; é por isso que as duas primeiras entradas abaixo trazem o texto clássico, e a última traz o contraste contemporâneo.

1 Coríntios 13:1–3 · Almeida Revista e Corrigida Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

A abertura do capítulo: cinco talentos admiráveis, um a um, avaliados sem o amor.

A aritmética do zero

O que vem a seguir é uma aritmética: tudo o que impressiona, multiplicado por zero. A eloquência sem amor é apenas ruído vazio, som meramente desarmonioso e inútil, que não traria proveito nem deleite, porque é o coração caridoso, e não a língua fácil, que é aceitável a Deus. O saber não se sai melhor: uma cabeça clara e profunda nada significa, sem um coração benevolente e caridoso. A fé que move montanhas também perde, pois um grama de caridade vale, na conta de Deus, muito mais do que toda a fé desse tipo no mundo. Nem a generosidade salva: pode haver uma mão aberta e pródiga onde não há um coração generoso e caridoso.

1 Coríntios 13:4–7 · Almeida Revista e Corrigida O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O retrato em comportamentos — a parte lida nos casamentos, e a mais difícil de cumprir numa terça-feira comum.

Um retrato comportamental, não lírico

O retrato que vem depois é comportamental, não lírico: o amor pode suportar o mal, a injúria e a provocação, sem se encher de ressentimento, indignação ou vingança, e caça ocasiões de ajudar — ele busca ser útil; e não apenas agarra as oportunidades de fazer o bem, mas as procura. Na prática, Henry lê as propriedades como hábitos: a bondade é ativa e disponível — a lei da bondade está nos seus lábios; o seu coração é largo e a sua mão é aberta — e a paciência é o que acontece com um temperamento já ocupado por outra coisa, pois a ira não consegue morar no peito onde o amor reina.

Isso significa aceitar tudo e não julgar nada?

Não, e Henry o diz diretamente: a caridade de modo algum destrói a prudência. A fórmula dele é que a sabedoria pode habitar com o amor, e a caridade pode ser cautelosa. O amor de 1 Coríntios 13 pende para a leitura generosa da pessoa e se recusa a supor o pior sem provas — mas tem permissão para ver, pesar e manter o juízo. A ingenuidade não está entre as propriedades da lista de Paulo.

O item que não expira

1 Coríntios 13:13 · Almeida Revista e Corrigida Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

O pódio final do capítulo, na redação clássica que a memória de muitos leitores guarda.

1 Coríntios 13:13 · Nova Versão Internacional Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior destes, porém, é o amor.

A mesma sentença no vocabulário contemporâneo — o contraste que desfaz a confusão entre as duas palavras.

É o único item da lista final de Paulo que nunca expira: quando a fé e a esperança tiverem chegado ao fim, a verdadeira caridade arderá para sempre com a chama mais brilhante. Por que essa ordem no pódio? Por causa do que acontece com os outros dois. A razão de Henry é estrutural: o amor é o fim do qual os outros dois são apenas meios. A fé e a esperança são instrumentos para uma situação — o que ainda não se vê, o que ainda não se tem — e essa situação acaba, pois não há lugar para crer e esperar quando vemos e desfrutamos. O amor é o único dos três que tem o mesmo trabalho a fazer depois da chegada e antes dela.

A entrada de sempre, fechando a lista

O capítulo tem treze versículos; esta página anotou cinco deles.

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